sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A FORÇA DE UMA GUERREIRA PAITER

"Nas matas, nos rios ou em combate, nós mulheres Paiter sempre tivemos a participação especial na luta pela defesa dos direitos pela terra juntos aos nossos maridos" - Manganogan Suruí 



Mulher Paiter confeccionando artesanato do seu povo.  foto: Ubiratan/2016


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

ALDEIA PAITER "LINHA 09" - REGIÃO CENTRAL DA TERRA INDÍGENA SETE DE SETEMBRO

A Aldeia Paiter também conhecido como “Aldeia LINHA 09” e umas das 27 aldeias espalhadas pelo território indígena Sete de Setembro. Localizado no km 40, final da estrada vicinal chamada do mesmo nome Linha 09 do município de Cacoal no interior do estado de Rondônia há 450 km da Capital Porto Velho.  E a terceira Aldeia mais populoso das Aldeias Paiter Suruí existentes dentro do território indígena Sete de Setembro.
Entrada da Aldeia Paiter Linha 09 - Divisa território indigena com o território não indigena

Vista da Entrada da Aldeia Paiter
A aldeia Paiter Linha 09  e habitado pelos 180 pessoas que forma pelo menos 32 famílias Paiter Suruí falantes da língua Tupi-mondé, (incluindo homens, mulheres, jovens e crianças). São elas composta por clãs Gãmeb, Kaban, Makor e Gabgir que são os grupos clânicos pela qual e formada a sociedade indígena Paiter. 

Moradores da Aldeia  Indígena Paiter Linha 09
A Comunidade da Aldeia Paiter Linha 09 da Terra Indígena Sete de Setembro ainda tentam manter e preservar muito as tradições Culturais do seu povo, por isso uma dos desafios que o povo vivem neste tempo de pós contato com a sociedade não indígena e lutar para manter e assim garantir a cultura do seu povo viva passada de geração pós geração.

Pintura Corporal Paiter "Guerreiro"

Apresentação Cultural do Povo Paiter Suruí

Criança Paiter Suruí na aldeia Linha 09 

Umas dos fatores bastante significativo e muito importante no  que diz respeito que a cultura Paiter ainda está sobre o domínio do povo Paiter Suruí e a comunidade mostrar no seu dia a dia as praticas diárias de suas manifestações culturais: como o uso de comida tradicional, uso e a valorização das medicinas tradicionais para as curas de doenças, contação de histórias, mitos, ritos, realização das pinturas corporais, praticas dos cânticos e festas tradicionais, caça, pesca, coleta de frutas e mel silvestre. Tudo isso o Povo Paiter Suruí tem assegurado para o seu povo através de das lutas de suas lideranças que resultaram na elaboração pesquisas, planos de estudos voltado para as sua culturas e o território ondem vivem. A elaboração dos planos de estudo foram importante para que o povo Paiter Suruí possam entender melhor porque e importante valorizar sua cultura e preservar o seu território diante de um mundo onde a cada dia acontecem os os avanços de uma forma acelarada e que não e nada agradável para o futuro dos povos indígenas no brasil e no mundo.

                                 Mulher Paiter preparando bebida tradicional


Gongo misturado com massa de cará cozido - tipo de comida tradicional muito especial



Chicha  "IIH" - Bebida Tradicional feito com cará


Água do Cipó "Napoah Sih" - Medicina Tradicional Paiter














A Aldeia Paiter Linha 09 está localizado e rodeado por uma exuberante floresta com enorme potencial em fauna e flora, "rios, cachoeiras, animais e plantas com belíssimas paisagens naturais que pode deixar qualquer visitante, um contato magnífico com a natureza". E nessa imensa  e pura floresta amazônica que os Paiter vivem que e um espaço sagrado, lugar de buscar força e compreensão e buscar o equilibro para não ter descontrole do seu verdadeiro habito como povo indigena. 


Rio Cachoeira "Môôbôh"

Crianças Paiter Suruí tomando banho nas águas limpas do Rio Cachoeira 

Trilha a Mata a dentro via de acesso para lugares de caça, pesca, coleta de castanha e roças. Aldeia Paiter Linha 09 - Terra Indígena Sete de Setembro


O Povo Indígena Paiter Suruí ainda praticamente vive da caça e da pesca. Pois são alimentos indispensáveis na sua culinária. Além do mais e um alimento puro e saudável para a saúde para que os mesmo tenha um melhor qualidade de vida na dieta alimentar. 


Homens Paiter com os peixes depois de uma pescaria no rio da Terra Indígena Sete de Setembro.


O povo indigena paiter Suruí são Agricultores, pois todo ano fazem roças para plantarem e de  onde são extraídos os alimentos para o  sustento das famílias no dia a dia e também para a venda. Os produtos das agricultura tradicional plantada para o consumo são: cará, batata-doce, inhame, amendoim, milho, mandioca e plantada para vender: café, banana e etc...

     Roça Tradicional - somente com plantações tradicionais




Autor: Gasodá Suruí - Etnia do Povo Paiter Suruí, Turismólogo e pesquisador Indígena  e pertencente ao Clã Gãmeb.














sábado, 30 de janeiro de 2016

COTIDIANO DAS CRIANÇAS DA ETNIA PAITER SURUI

No presente texto analisaremos o cotidiano das crianças indígenas e ressaltaremos, sobretudo, o cotidiano das crianças da Paiter Suruí, etnia indígena da Terra Indígena Sete de Setembro , que se encontra nas confluências dos estados do Rondônia e do Mato Grosso.  

Crianças Paiter Suruí - Aldeia Paiter Linha 09
Foto: Gasodá Suruí/2016


O cotidiano das crianças indígenas Paiter Suruí diverge e muito do dia a dia das crianças que moram nas capitais brasileiras. No entanto, as crianças que vivem em pequenas cidades interioranas e em fazendas possuem atividades rotineiras quase parecida, como  as da crianças Paiter Suruí



As crianças Paiter Suruí têm o costume de passar o dia no rio, onde tomam banho e brincam. Outra brincadeira bastante praticada entre os “pequenos” indígenas é a diversão com o arco e a flecha dentro das matas. Os indígenas adultos produzem arcos e flechas com tamanho reduzido e que não causam risco à vida das crianças. Dessa maneira, as crianças Paiter Suruí vão se acostumando a lidar com essas ferramentas, para que, no momento em que se tornarem adultas, possam praticar a caça, principal fonte de alimentação dos povos indígenas.
Crianças Paiter Suruí ajudando a limpar o terreiro da Aldeia
Foto: Gasodá Suruí/2016



Da mesma forma que acontece com as crianças da cidade, isto é, com as crianças não índias, que desobedecem a seus pais ou responsáveis, as crianças indígenas desobedientes também ficam de castigo, geralmente estipulado pelos pais.

Geralmente os índios adultos Paiter Suruí castigam seus filhos desobedientes colocando perto do fogo para sentir na pele a dor de uma queimadura e sofrem bastante com esse castigo e até fazer juras aos pais que não irá mais desobedecer.



Segundo a tradição, o costume da aldeia não é bater, pois esses indígenas acreditam que a mãe que bate no filho não será cuidada por ele, quando este crescer.



Esse fato (de o filho abandonar os pais, por apanhar deles) é uma questão levada a sério pela etnia Paiter Suruí. Na sociedade não indígena esse fato não é tão presente: geralmente, os pais batem nos filhos sem tais preocupações e os filhos abandonam os pais quando estes ficam velhos, mesmo sem terem apanhado deles quando crianças.

Autor: Gasodá Suruí - Turismólogo e Pesquisador Indígena. Indígena da etnia Paiter Suruí, pertencente ao grupo clânico  "GÃMEB" da Terra Indígena Sete de Setembro.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

"O JEITO PAITER SURUÍ DE ENTENDER E COMPREENDER O MUNDO"

“A floresta é importante para os povos indígenas porque é o espaço de sobrevivência de onde as famílias tiram seu sustento, recebem energia, para  cultuar seus rituais e crenças. É importante porque foi criada por Deus, tanto os seres vegetais como os animais. Deus foi classificando as coisas e formando os vegetais e animais.


Foto: Gasodá Suruí/2015

Alguns animais como a anta, jabuti, gavião,urubu, dentre outros, eram gente há tempos atrás. Deus foi chamando estas pessoas e foi determinando que você seja um animal da floresta  com determinada função. O nambu, por exemplo, toda manhã vai assoviar e cantar como um relógio que indica o amanhecer. O nambu também é alimento e suas penas são utilizadas em artesanatos. Os indígenas Suruí antigos dizem que o ser (gente) tem uma relação harmônica com a floresta e devem ter respeito por esta, caso contrário, os espíritos castigam quem a maltrata.
Estes espíritos só aparecem para as pessoas que tem o coração de respeito,  que tem o dão e afinidade com a floresta e com toda sua biodiversidade que  esta possui. Quem não respeita a floresta corre o risco de não voltar porque o espírito “Lakapoy” e outros fazem a pessoa se perder. O espírito “Lakapoy" tem várias serpentes no corpo e carrapatos que pegam as pessoas e levam no topo de uma pedra que amolece e engole a pessoa até a altura do peito. A pessoa pede socorro, e logo aparece outro espírito “Lakapoy” que castiga ainda mais a pessoa. Por outro lado se a pessoa tem relação harmônica com a floresta, é beneficiada. Não é qualquer pessoa que tem comunicação com os espíritos da floresta. O pajé se comunica com os espíritos da floresta. 

Foto: Gasodá Suruí/2015


Autor: Gasodá Suruí - Turismólogo e Pesquisador  Indígena Paiter Suruí pertence do Clã Gãmeb, morador a aldeia Paiter Linha 09  da Terra Indígena Sete de Setembro em Cacoal -RO -Brasil. 













terça-feira, 28 de maio de 2013

POVO INDIGENA PAITER SURUI APRESENTA O PLANO DE GESTÃO DO SEU TERRITORIO DURANTE O SEMINARIO DE REDD+ EM MERIDA-MEXICO 2013.

O Povo indígena Paiter Surui da Terra Indígena Sete de Setembro, localizado próximo a município de Cacoal no estado de Rondônia. Por meio da Associação Metareilá e por intermédio do Gasodá Surui, Turismologo e Coordenador de Cultura Paiter na Associação Metareilá participou entre os dias 07 a 09 de maio de 2013 na cidade de  Mérida - México, "o SEMINARIO  LEARNING EXCHANGE: SOCIAL DIMENSION OF REDD+. O evento foi realizado no Salão Nobre do hotel Hyatt Regency Mérida, promovido pela TNC - The Nature Conservancy's
 
Durante o evento tivemos a  oportunidade de apresentar para o Publico participantes o Plano de Gestão de 50 anos do Território Paiter, e os projetos que pretende desenvolver ou já desenvolve junto com as comunidades Paiter através da sua Associação e sob o acompanhamento e entendimento do seu Sistema de Governança que e o Parlamento Paiter. A participação no Seminário foi muito importante, onde pudemos ver e compartilhar as experiências de outro povos de vários países do mundo que trabalha com a questão de Sustentabilidade no ambiente em que vive.
 
Autor: Gasodá Surui.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

POVO INDIGENA PAITER SURUÍ LANÇA PLANO DE TURISMO EM TERRA INDIGENA SETE DE SETEMBRO EM RONDÔNIA

Foi entregue na terça feira 17 de julho de 2012 o Plano de Negócio de Turismo da Terra Indígena Sete de Setembro, a cerimonia do lançamento aconteceu na aldeia Joaquim, da etnia Paiter-Suruí, próximo a Cacoal. Na ocasião estiveram presentes representantes de todas as aldeias Paiter Suruí, lideradas pelo Lider Maior do Povo Paiter Suruí, Almir Suruí, anfitrião da festa, além do superintendente de Turismo do Estado, Basílio Leandro Pereira de Oliveira, membros da Associação Metareilá do povo indígena Paiter-Suruí, representantes da Ong Kanindé - Associação de Defesa Etnoambiental, membros da CSF-Conservação Estratégica e diversas autoridades municipal  e estadual e federal.
O plano de turismo apresentado é fruto de três anos de pesquisas e discussões participativas, com vários estudos e levantamentos de campo sempre resguardando o bem-estar e a integridade dos índios nativos da região. “Manter a floresta em pé é fundamental para proporcionar um eco-turismo limpo e sustentável, que gere renda para nosso povo. Essas são as nossas metas”, disse emocionado, o cacique Almir Suruí num discurso em tupi-mondé que depois traduzido em português.
Basílio Leandro reiterou o total apoio do governo do Estado através da Superintendência de Turismo (Setur) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social (Sedes) e colocou o órgão de turismo à disposição para eventuais consultorias e treinamentos dos futuros guias turísticos indígenas.

Após as apresentações os participantes visitaram uma exposição fotográfica mostrando o dia-a-dia da aldeia, apreciaram uma amostra do artesanato produzido por eles, almoçaram comidas típicas cujo prato principal era peixe tambaqui assado na folha de bananeira. À tarde, visitaram outro setor da aldeia, onde puderam interagir na confecção dos arcos e flechas, cestos, ornamentos e cocares.
O ponto alto foi quando todos puderam receber as pinturas corporais tradicionais, para a festa Mapimai – a Criação do Mundo, feitas a partir de um preparo a base de jenipapo. Visitantes da Itália, Estados Unidos e de diversos estados do Brasil ficaram encantados e aprovaram a iniciativa do plano e a estrutura ainda tímida para recepção dos turistas.
Também participaram da cerimonia e das visitações jornalistas e fotógrafos de várias publicações, atestando o sucesso da ideia. A Setur produziu imagens que estarão na revista de turismo oficial de Rondônia, a ser publicada em breve.
A iniciativa é pioneira no Brasil e tem o apoio do Sebrae.

Autor: Gasodá Surui

terça-feira, 15 de maio de 2012

Povos Indígenas do Século XXI



O que o futuro reserva aos povos indígenas em todo o mundo e o que significa ser indígena no século 21?

A resposta a essa pergunta irá variar muito entre os 250 a 300 milhões de indígenas existentes em praticamente todas as regiões do mundo. Há enorme diversidade entre os cerca de 5 mil grupos distintos de indígenas, cada um dos quais com história, língua, cultura, sistema de governança e modo de vida singulares. Embora alguns povos indígenas continuem a subsistir da pesca, caça e coleta de alimentos.
Os grupos indígenas do mundo todo realmente enfrentam alguns desafios comuns na luta para proteger suas terras, seus recursos naturais e suas práticas culturais. A batalha para proteger os direitos humanos e os direitos à terra dos povos indígenas torna-se bem mais difícil por tão poucas pessoas conhecerem a fundo a história ou a vida contemporânea dos indígenas. E sem nenhum contexto histórico ou cultural, é quase impossível entender as questões indígenas atuais.
Problemas têm raízes no colonialismo.

Ao contemplar os desafios enfrentados pelos povos indígenas em todo o mundo, é importante lembrar que as raízes de muitos problemas sociais, econômicos e políticos podem ser encontrados nas políticas coloniais. Os povos indígenas do mundo todo estão ligados pela experiência comum de terem sido “descobertos” e submetidos à expansão colonial em seus territórios, o que causou a perda de um número incalculável de vidas e de milhões de hectares de terra e de recursos. Os direitos mais básicos dos povos indígenas foram desrespeitados, e eles foram submetidos a uma série de políticas elaboradas para integrá-los na sociedade e na cultura coloniais. Com demasiada freqüência o legado dessas políticas era pobreza, alta mortalidade infantil, desemprego generalizado e abuso de substâncias, com todos os problemas decorrentes.
Ao contemplar os desafios enfrentados pelos povos indígenas em todo o mundo, é importante lembrar que as raízes de muitos problemas sociais, econômicos e políticos podem ser encontrados nas políticas coloniais. Os povos indígenas do mundo todo estão ligados pela experiência comum de terem sido “descobertos” e submetidos à expansão colonial em seus territórios, o que causou a perda de um número incalculável de vidas e de milhões de hectares de terra e de recursos. Os direitos mais básicos dos povos indígenas foram desrespeitados, e eles foram submetidos a uma série de políticas elaboradas para integrá-los na sociedade e na cultura coloniais. Com demasiada freqüência o legado dessas políticas era pobreza, alta mortalidade infantil, desemprego generalizado e abuso de substâncias, com todos os problemas decorrentes.
Como resultado do trabalho de muitos povos indígenas e grupos defensores de causas específicas, a Assembléia Geral das Nações Unidas colocou em votação a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas em 13 de setembro de 2007. Embora a grande maioria tenha votado a favor da declaração, os Estados Unidos, a Nova Zelândia, o Canadá e a Austrália votaram contra. Mas a atitude desses quatro países está mudando. Kevin Rudd, primeiro-ministro da Austrália, anunciou recentemente que seu país apoiará a declaração, um passo importante para os aborígenes desse país, bem como para os povos indígenas do mundo todo. Com a eleição do presidente Barack Obama em 2008, muitos esperam que os Estados Unidos reconsiderem seu voto contra a resolução.
A Declaração da ONU protege os direitos à autodeterminação e direitos concedidos por tratados aos povos indígenas, bem como o direito de “buscar livremente seu desenvolvimento econômico, social e cultural”. À medida que lutam por esses direitos, o acesso à terra ancestral e o seu controle são essenciais à iniciativa de autodeterminação dos povos indígenas desde as tribos de Manipur, na Índia, até o povo andino no Peru, Equador e Bolívia.
Ao mesmo tempo em que os povos indígenas retomam o controle de suas terras e de seus recursos, trabalham para desenvolver suas economias e reconstruir suas comunidades e nações. Embora haja muitos empreendedores indígenas individuais, há também um número extraordinário de empresas que comumente pertencem a governos ou comunidades tribais. Essas empresas vão desde cooperativas de tecelagem de mulheres nas margens do Rio Negro no Brasil ao comércio de pescados do povo luo no Quênia. Feiras anuais para produtos e empresas indígenas são realizadas em Winnipeg, Canadá e em Melbourne, Austrália. Nos Estados Unidos, muitos programas sociais e culturais são financiados com receita de empresas de tribos, tais como editoras de livros, shopping centers e cassinos.
Conforme desenvolvem a economia e lidam com questões sociais, os indígenas valorizam a preservação da cultura, da língua, das artes da cura, canções e cerimônias tribais. É milagroso que, em face da enorme adversidade, muitos indígenas tenham conservado o conhecimento tradicional, valores fundamentais que os mantiveram ao longo do tempo, e um senso de coesão como povo tribal.

Questões comuns

Apesar de suas inúmeras diferenças, os povos indígenas do mundo todo compartilham alguns valores comuns, inclusive o senso de reciprocidade, às vezes fragmentado, mas ainda muito presente, e uma clara compreensão de que suas vidas são parte inseparável da terra. Essa profunda sensação de interdependência mútua e com todos os outros seres viventes alimenta o dever e a responsabilidade de conservar e proteger o mundo natural, que é um provedor sagrado de alimentos, medicamentos e sustento espiritual.
Os valores são importantes nas comunidades indígenas, onde as pessoas mais respeitadas não são aquelas que acumularam riqueza material ou alcançaram grande sucesso pessoal. O maior respeito é reservado àqueles que ajudam outras pessoas, àqueles que compreendem que suas vidas se desenrolam em meio a um conjunto de relações recíprocas.
A maneira pela qual os povos tribais se governam também difere de região para região. Nos Estados Unidos há mais de 560 governos tribais com relação direta com o governo federal. Esses governos exercem uma série de direitos soberanos, inclusive administrando seus próprios sistemas judiciais e suas forças policiais, operando escolas e hospitais e dirigindo um amplo leque de empreendimentos comerciais. Governos tribais criam dezenas de centenas de empregos e acrescentam milhões de dólares às economias de seus estados. Todos esses avanços beneficiam toda a comunidade, não apenas os membros das tribos. A história, a vida contemporânea e o futuro dos governos tribais nos Estados Unidos estão interligados com os de seus vizinhos.
A base territorial dos governos tribais vai desde alguns que controlam milhões de hectares a outros que possuem menos de 25 hectares de terra. E a população vai de nações navajos e cheroqui, desde aquelas com mais de 250 mil membros registrados a alguns governos tribais com menos de 100 membros. É importante observar que a população ou a base territorial de um governo tribal soberano não determina o grau em que ela usufrui dos direitos de autonomia. Do mesmo modo que o minúsculo principado de Mônaco desfruta de alguns dos mesmos direitos internacionais que a China e os Estados Unidos, os governos tribais com uma minúscula base territorial e população pequena são entidades soberanas com os mesmos poderes das tribos com grande população ou base territorial.
À medida que avançam no século 21, os indígenas enfrentam muitos desafios cruciais nas áreas política, social, econômica e cultural. Um dos maiores desafios será desenvolver modelos práticos para captar, manter e transmitir sistemas de conhecimento e valores tradicionais a gerações futuras. Nada pode substituir o sentido de continuidade que a compreensão genuína do conhecimento tribal tradicional oferece. Não há dúvida de que em algumas comunidades indígenas, as línguas, as cerimônias e os sistemas de conhecimento originais perderam-se de maneira irrecuperável, mas em muitas outras a cultura é vibrante, a língua ainda é falada e centenas de cerimônias são realizadas para comemorar mudanças sazonais no mundo natural e na vida dos seres humanos. Todos os anos os indígenas desenvolvem mais projetos para preservar aspectos distintos da sua cultura, como a língua e as plantas medicinais.
Para ver o futuro dos povos indígenas, é necessário olhar para o passado. Se os povos indígenas foram tenazes o suficiente para sobreviver a uma perda enorme de vidas, terras, direitos e recursos, eles parecem bem equipados para sobreviver a quaisquer desafios que estão por vir. Em muitas partes do mundo, os povos indígenas não estão somente sobrevivendo, estão prosperando. Na América do Sul, onde há aproximadamente 40 milhões de índios, líderes indígenas visionários como Evo Morales, presidente da Bolívia, e a ganhadora do Prêmio Nobel Rigoberta Menchú lideram um renascimento cultural e político.
Nas comunidades indígenas há muitas discussões sobre o que significa ser um indígena tradicional nos dias de hoje e o que isso significará no futuro.
Nos Estados Unidos, o futuro parece de certo modo melhor para os povos tribais, devido, em grande parte, à governança autônoma e aos esforços de autodeterminação dos governos tribais. Há muitas histórias inspiradoras de governos tribais e de pessoas reconstruindo e revitalizando suas comunidades e nações.
A Universidade de Harvard recentemente completou mais de uma década de pesquisa abrangente publicada em um livro relativamente esperançoso intitulado The State of Native Nations [O Estado das Nações Indígenas]. A pesquisa indica que a maioria dos indicadores sociais e econômicos está caminhando em direção positiva, muitos governos tribais são sólidos, os níveis de escolaridade estão melhorando e um renascimento cultural está ocorrendo em muitas comunidades tribais.
Nas comunidades indígenas há muitas discussões sobre o que significa ser um indígena tradicional nos dias de hoje e o que isso significará no futuro.
Ser indígena no século 21 significa ser parte de uma comunidade que enfrentou pobreza e opressão devastadoras, mas que encontra muitos momentos de encanto e conforto nas histórias tradicionais, na língua, nas cerimônias e na cultura.
Ser indígena no século 21 significa ser membro de um grupo detentor de algum dos mais valiosos e antigos conhecimentos sobre o planeta, um povo que ainda tem uma relação direta com a terra e um senso de responsabilidade para com ela.
Ser indígena no século 21 significa confiar em seu próprio pensamento novamente e não somente articular sua própria visão de futuro como também ter, dentro das comunidades, um conjunto de habilidades e capacidade de liderança para transformar essa visão em realidade.
Ser indígena significa, a despeito de tudo, ainda ser capaz de sonhar com um futuro no qual as pessoas em todo o mundo apoiarão os direitos humanos e a autodeterminação dos povos indígenas. Terra e recursos podem ser colonizados, mas nunca os sonhos.
Ser indígena no século 21 significa manter redes de relacionamento e compartilhar conhecimentos tradicionais e melhores práticas com as comunidades indígenas em todo o planeta usando o iphone, aparelhos celulares Blackberry, os sites Facebook, Myspace, Youtube e qualquer outra ferramenta tecnológica disponível.
Ser indígena no século 21 significa ser empreendedor, médico, cientista ou até mesmo um astronauta que deixará suas pegadas na lua e então retornará ao lar para participar das cerimônias que seu povo vem realizando desde o início dos tempos.
Ser indígena no século 21 significa honrar nossos ancestrais que mantiveram a visão firmemente fixa no futuro, independentemente do que estava acontecendo no presente.
Ser indígena no século 21 significa reconhecer as injustiças passadas, mas nunca ficar paralisados ou sem ação por raiva do passado ou de todos os desafios atuais.
Significa seguir o conselho de nossos pais, avós e tataravós, os que nos lembram que é difícil ver o futuro com lágrimas nos olhos.

 

 

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Porque dia 19 de Abril dia do Índio?

Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, encontraram uma natureza exuberante e um povo nativo muito diferente do europeu.
Como acreditavam ter chegado à Índia, que era o destino de sua viagem, apelidaram este povo de Índio. Para os colonizadores europeus, todos os nativos eram índios.
Essa generalização proposital favoreceu a dominação destes povos. Na verdade existiam muitas nações, etnias e grupos diferentes.
Estes grupos formavam um universo completamente heterogêneo, disputavam territórios, e possuíam cultura e idiomas próprios.
No início, os europeus se aproveitaram desta diversidade e usaram o índio como aliado. Porém, logo decidiram torná-lo escravo e, nesta luta, inúmeras populações foram praticamente dizimadas.
Mas o dia do Índio mesmo foi instituído pela primeira vez em 1940, durante o I Congresso Indigenista Interamericano, no México. No Brasil, a data passou a valer a partir de 1943, por decreto do então presidente Getúlio Vargas, depois da insistência do Marechal Cândido Rondon, um dos primeiros a se preocupar com esta questão no país.
E hoje a realidade indígena e completamente diferente de quando eles eram os donos desta terra. Obrigados a viver em áreas cada vez menores, os índios foram, gradativamente, perdendo seus hábitos e costumes.
O contato com o homem branco contribui para esta aculturação, além de trazer doenças e outros males para dentro das aldeias. Muitos índios buscaram fugir da miséria migrando para os grandes centros urbanos. Mas, vítimas de preconceito e sem conseguir se integrar transformou-se em indigentes. Um triste jogo de palavras que em nada lembra os tempos gloriosos de grandes guerreiros, pois tinham um contato total com a natureza, pois dependiam dela para quase tudo. Os rios, árvores, animais, ervas e plantas eram de extrema importância para sua a vida. A religião era baseada na crença em espíritos de antepassados e forças da natureza. Tudo isso foi sendo extinto aos poucos pela cultura dos brancos.

Gasodá Surui.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Windows 7 apresenta: Meu Mundo, Meu Computador com Gasodá Suruí


Já não é mais novidade o poder que um computador tem de fazer com que lugares e pessoas a quilômetros de distância pareçam estar aqui do lado – ou mesmo na nossa frente. O que dizer, então, sobre um rondoniense que, com a ajuda de um computador com Windows, não apenas viu as portas do mundo se abrirem diante de seus olhos, mas também trouxe para a sua vida ninguém menos do que sua esposa?
Pois é essa a história de Gasodá, um autêntico índio pertencente à etnia Paiter, também conhecida como Suruí (que quer dizer “gente de verdade”), que só foi ter contato com um computador pela primeira vez no laboratório de informática da Faculdade São Lucas de Porto Velho, onde se formou em Turismo. No começo, ele tinha medo até de mexer: “Se a gente tocasse (no computador) de uma maneira errada, poderia até explodir. Era o que eu pensava”. Ainda bem que o medo passou, porque o computador abriu um mundo de possibilidades na vida dele. Além do diploma, ele conheceu e se apaixonou pela mulher da sua vida, com quem conversava pelo Messenger.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Ano Novo, De Novo!

Daniel Munduruku


A virada do ano é sempre um ritual. Ao menos penso assim desde pequeno quando observava a alegria que reinava no coração das pessoas com quem convivia. Era uma alegria semelhante a dos meus pais quando tinha sucesso no roçado, ou quando via chegar os caçadores e pescadores com bons resultados, símbolo de fartura e reafirmação da crença de que os rituais são importantes para o sucesso de nossas ações cotidianas. Sem os rituais acabamos nos transformando em pessoas mesquinhas, vaidosas, excessivamente narcisistas.
O novo ano que chega é um portal que se abre à nossa frente. É absoluto mistério. O que iremos encontrar do outro lado – além das certezas que a fragilidade corpórea nos impõe – não sabemos. Especulamos apenas e por conta dessa nossa humana capacidade fazemos promessas, desejamos sucessos, aspiramos conquistas para nós e para nossos amigos; brindamos a vida vivida nos meses anteriores; choramos as perdas mas, sobretudo, olhamos para frente com os olhos da esperança aceitando o que a Vida pode nos oferecer sejam coisas boas – que sempre almejamos – sejam coisas desagradáveis que vão, inclusive, nos fazer questionar o que antes era verdade absoluta.
O ano novo já está aí. De novo ele entra em nossas vidas sem que peçamos, sem que o desejemos. É retrato do tempo cíclico, das estações do ano, da renovação necessária. Chega para nos lembrar que somos passageiros do tempo e que um dia esse tempo acaba para uns e começa para outros. Chega para dizer que não somos mais que seres de passagem neste rasgo de tempo que se chama existência [definido aqui como um vir-a-ser] que nos é oferecido em diferentes etapas da vida.
O Novo Ano já está aí? Já começou em seu ser? Qual a roupa que veste? Quais os sonhos que traz? Qual o impacto que causa? Quais suas reverberações? Ele liberta do passado? Ele impõe um futuro?
O ano novo é um ritual. E todo ritual é uma marca, uma passagem, um recomeço, uma lembrança. Todo ritual é o hoje, o agora, o presente. Seja Presente!