quarta-feira, 18 de abril de 2018

DIA 19 DE ABRIL, DIA DO ÍNDIO, SE COMEMORA OU SE INDIGNA?


Gasodá Suruí 

Anualmente no dia 19 de abril e comemorado o dia do índio no Brasil, uma data que pela sua grandeza poderia ser comemorado com muitas festas, conquistas e acima de tudo ser um momento de reconhecimento dos povos indígenas como povos originários deste terra chamado de Brasil. Mas muito pouco ou quase nada nós povos indígenas temos a comemorar nesta data. Pelo fato de só temos  promessas feitas pelos nossos governantes desde a criação da constituição federal de 1988. 
Hoje passados 30 anos, praticamente continuamos na mesma, ouvindo promessa ou talvez casos até mais pior. Parece que seja tudo propositadamente, e assim continuamos sendo esquecidos, humilhado, massacrado  e violado todos os direitos dos povos indígenas pelos Governantes do nosso país. Sem muitos menos sem sermos consultados, como diz na própria constituição brasileira.   
E nesse sentido que nesta data trazemos para discussão a realidade indígena no país, questões como: falta de demarcação de terras, saúde e educação precária, além da reflexão sobre a importância dos valores e conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. Porque como povos originários deste país, jamais os povos indígenas foram vistos e nem sequer lembrados como ser humano e muito menos lembrado que aqui já habitavam antes da chegada dos europeus. Caso contrario, seriamos sem duvida, um país mais respeitado e abençoado desse planeta e com direito a ser exemplo a ser seguido.

Arquivo: Gasodá Suruí, Março de 2018 - Povo Paiter Suruí 

Caso os nossos governantes tivesse o mínimo de respeito e reconhecimento  da existência e a  importância dos povos tradicionais com suas ricas diversidades culturais para a formação da nossa sociedade com certeza estaríamos no ranking dos países mais desenvolvidos do mundo.
O mais importante para nós como povos indígenas neste momento e ter a consciência tranquila que somos capazes assim como todos. Pois sempre trabalhamos e produzimos para sustentar nossas famílias e comunidades com respeito  e sem desigualdade social em nosso meio.
As nossas conquistas dos nossos espaços dentro da sociedade sempre foram conquistados na base do respeito e educação. Sem discriminação, sem preconceito, sem desigualdade e muito menos conflitos. Seja elas: escolas, universidades, fundações, instituições e  espaços políticos e partidários.
Mas infelizmente a ganância, o preconceito e a discriminação reina em nosso meio. Isso mostra o quantos somos fracos para superarem os nossos próprios desafios. 
Assim ficamos reféns dos nossos próprios erros . E quem acaba perdendo com tudo isso somos nós.
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Gasodá Suruí  e do povo indígena Paiter Suruí de Rondônia, pertencente ao grupo clânico Gãmeb, residente na Aldeia Paiter Linha 09, na Terra Indígena Sete de Setembro. Graduado em Turismo pelo Centro Universitário São Lucas de Porto Velho - Rondônia. Atualmente e mestrando em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia e também é Coordenador do Centro Cultural Indígena Paiter Wagôh Pakob onde desenvolve o trabalho de fortalecimento das praticas culturais do povo Paiter Suruí onde vive. 






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