quarta-feira, 29 de março de 2017

GÃMEB - O JEITO DE SER PAITER



Simbolo Sagrado do Grupo Clânico Gãmeb.



A palavra Gãmeb significa “marimbondo preto” e o Gãmebey e mais de um. Segundo a história Paiter o Gãmeb surgiu pela primeira vez há muito tempo anos atrás quando Deus (Palob) criou a humanidade. Por isso foram um dos primeiros a ser criado pelo criador do universo juntos com outros grupos. Dizem os Paiter que já havia outros seres antes de nós que foram comidos pelas onças e assim os desapareceram e todos foram extintos. E na terra tudo ficou vazio, somente as onças que os mataram e comeram todos.
Viu Deus que tudo estava vazio na Terra, o “Palob” Deus pensou preciso fazer alguma coisa para que tudo voltem de novo, assim pensou em fazer outros seres humanos. E para isso precisava de ossos humanos e assim contou com a ajuda e auxilio do veado mateiro “Patxaub” para buscar os ossos humanos na aldeia das onças. Como as onças tinham comidos todos os outros seres, somente na aldeia deles tinha os ossos humanos. E os ossos que tinha na aldeia das onças eram de vários povos:  Gãmeb, Kaban, Gapgir, Makor e de outros povos que foram extintos ao longo do tempo e que nos dias de hoje não existem mais, apenas histórias. 
Quando o veado mateiro "Patxaub" trouxe os ossos e entregou ao Palob que por sua vez pegou os ossos e começou a tragar e soprar com a fumaça do tabaco e assim surgia o ser humano uma por uma. E junto com isso surgiu também o Gãmeb que até hoje existe depois de muitos tempos apesarem de ter passado por dificuldade e desafios, como: doenças, guerras e conflitos com outros povos que foram dizimando aos poucos a sua população numerosa.
A história de vida e de luta dos Gãmebey tem se tornado frequentes, reconhecido e respeitado pela sociedade Paiter através do seu patriarca chamado pelo nome de YAB-NAB que significa (raiz dos saberes), que foi um guerreiro Paiter do Clã Gãmeb muito sábio, inteligente, com seu postura e perfil de liderança que também herdou dos seus pais. Ao longo de sua vida Yab- Nab casou -se com várias mulheres das quais geraram bastantes filhos que gerou e herdou os Gãmebey que vive na Terra Indígena Sete de Setembro.
Hoje os Gãmeb ou Gãmebey são um dos quatros grupos clânicos que compõe a sociedade Paiter Suruí, povo indígena que habita a Terra Indígena Sete de Setembro localizado entre os estados de Mato Grosso e Rondônia. Segundo os dados demográficos dos órgãos indigenistas (FUNAI e SESAI/2016) são os segundos grupos clânicos mais populoso entre os quatros grupos existente dentro do território Paiter, que são Gãmeb, Gapgir, Kaban e Makor. Os Gãmebey estão distribuídos e espalhados em todo o território Paiter: Aldeia Apoena Meirelles, Aldeia Sete de Setembro, Aldeia Paiter Linha 09, Aldeia Atamuia Linha 09, Aldeia Central Linha 10, Aldeia Iratana, Aldeia Lapetanha Linha 11, Aldeia Tikã Linha 11, Aldeia Mauíra Linha 12, Aldeia Pipira Linha 14 e etc...
As pessoas que pertencem a esse grupo geralmente são definidas e vistas pela sociedade Paiter através das suas características que o resume como ser humano: carinhoso, atencioso, tranquilo, bondoso, paciente, amoroso, ter respeito ao próximo, ter postura de liderança, não humilhar os outros, compreensivo e acima de tudo ter responsabilidade e o orgulho pelo da sua origem, ama a sua cultura e a natureza que fazem parte da sua vida. Essas características com postura de liderança nato faziam com que os outros respeitasse e fazia dele uma liderança automático do seu povo, pois isso vêm desde os seus antepassados. Pois são comportamentos que são adquiridos e conquistados através dos conhecimentos e sabedorias que são transmitidos de geração em geração.
O homem Gãmeb geralmente se casa com a mulher do Clã Kaban, do mesmo modo a mulher Gãmeb só se casam com homem Kaban. As mulheres Kaban a partir do seu casamento com Gãmeb passa a se torna a sua família. Desde então ao longo do tempo da convivência vai ajudando e ensinando um ao outro assim unificando os seus pensamentos de buscar os seus objetivos visando lutar pelo bem-estar da sua família e do seu povo.
Ao longo da sua história os Gãmebey têm contribuído bastante e ainda continua a contribuir com a valorização e preservação da vida organizacional, Social, Cultural, Ambiental e Territorial do povo Paiter Suruí dentro do território Sete de Setembro. Alguns dos seus líderes juntamente com as outras lideranças indígenas de outros clãs atuaram fortemente no início da década de 80, para que o governo brasileiro reconhecesse o seu território, logo após o contato com a sociedade não indígena. Graças a essa atuação de lideranças Paiter pela defesa e proteção do seu território, hoje a Terra Indígena Sete de Setembro e um território indígena demarcado e homologado pelo governo Federal. Mas que mesmo assim ainda correm sérios riscos de invasões e degradação ambiental, territorial e cultural pela forte pressão e influência da cultura ocidental.
Mas como o Gãmebey sempre foram um povo guerreiro não e agora que vão para de lutar pelos seus ideais devido ao grande impacto que a cultura não indígena tem trazido para o seu povo. A cada dia que passa surgem novas esperanças de um dia melhores para os Gãmebey e para os Paiter em geral. Pois a luta do Gãmeb e de todos e a luta de todos e do Gãmeb. Como sempre querendo ajudar o próximo e a humanidade através de um simples gesto de conscientizar a humanidade que é possível viver bem mantendo a floresta em pé e consumindo o que ela tem de oferecer.
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Gasodá Suruí é Indígena Paiter, pertencente ao clã Gãmeb- Formado em Turismo pelo Centro Universitário São Lucas de Porto Velho em 2009 e Atualmente e Mestrando em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia. Pesquisador Indígena e Coordenador Cultural da Aldeia Paiter Linha 09.

Um comentário:

  1. Olá, Gasodá. Gostaria de saber se há visitações às tribos Suruí, em que seria possível conviver uns dias com os habitantes. Tenho curiosidade pela cultura, especialmente pela relação das pessoas com os sonhos e com a música. Vc saberia me informar? Meu email é nielegarcia@gmail.com. Obrigada.

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