sexta-feira, 21 de maio de 2010

ARTE INDIGENA SURUI PAITER DE RONDÔNIA NO BRASIL RURAL CONTEPORANEO - PORTO ALEGRE - RS 2010

Quando Deus criou o mundo, mandou o veado até a aldeia das onças que comem gente, para recolher ossos humanos. Veloz e corajoso, o bicho conseguiu cumprir a missão. Então, Deus, fumando um cachimbo, soprava a fumaça no osso, que criava vida e se transformava em uma nova pessoa. É assim que a a etnia Suruí conta a criação da humanidade, segundo Gasodá Suruí, representante dos Suruí Paiter de Rondônia na Feira Nacional da Agricultura Familiar – Brasil Rural Contemporâneo, que se realiza em Porto Alegre entre os dias 13 a 16 de maio, às margens do Guaíba, no Cais do Porto.

Gasodá Suruí é um dos expositores que cruzaram milhares de quilômetros, por terra, água ou ar para trazer ao público gaúcho o produto do seu trabalho. No caso dele, colares, cocares, aneis e pulseiras feitos com materiais comuns na sua região, em Rondônia: tucumã, inajá, casco de tatu e penas de arara. Mas Gasodá se apressa em esclarecer que sua comunidade faz o manejo sustentável da terra indígena, para não comprometer os recursos naturais.

Nem sempre, porém, foi assim. A terra indígena de 246 mil hectares sofreu durante anos com a extração ilegal de madeira. Praticamente todas as árvores de valor comercial foram extraídas, e grande parte da área foi desmatada. Hoje, os Suruí compram mudas e sementes de “parentes” de outras terras indígenas para recompor as matas que deram sombra a seus antepassados. O trabalho é feito com a ajuda da organização não governamental suíça Acquaverde. Começou em uma das 20 aldeias dos Suruí, mas correu para as outras com a rapidez de um veado e hoje todas elas, reunindo mais de 2 mil pessoas, participam do trabalho, recriando a mata onde antes eram só tocos e galhos secos, como ossadas sem vida.

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